segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

* ALIMENTAÇÃO E MANEJO X NUTRIÇÃO E SAÚDE

Já falamos sobre o local para sua criação, sobre a escolha das Gaiolas, Acessorios e Utensilios para a criação e por ultimo sobre a Escolha dos Canarios Reprodutores. Hoje vamos falar sobre a alimentação e Manutenção dos canarios. Vamos falar sobre algumas sementes, verduras, frutas e outros alimentos.

Alimentação dos Canários:

Os canarios são granívoros, ou seja, a base da alimentação é composta por grãos, sendo que os mais usados são o Alpiste e o Painço e podemos complementar oferecendo outras sementes como linhaça, colza, cânhamo e niger.(Clique na imagem para aumentar)


Além disto podemos oferecer Frutas (Maçã, Pera, Laranja…), Verduras (Almeirão, Chicória, Mostarda…) e Legumes (jiló, pepino…). A muita controvérsia sobre a quantidade a ser oferecida, uns defendem que estes alimentos podem ser dados diariamente, outros dia sim dia não, alguns dão uma vez por semana e tem quem nunca dê… Portanto cada um deve testar e ver o que melhor se adapta aos seus pássaros.

Outro alimento importante é a farinhada a base de ovo, sendo que ela pode ser preparada em casa, a base é pão seco triturado e ovo cozido (Pode ser o ovo inteiro ou apenas a gema), a esta base acrescenta-se outros produtos como flocos de cereais(aveia, milho, arroz), cenoura ralada, maça, alguma vitamina…

Lembre-se que as farinhadas a base de ovos, as frutas, verduras e legumes devem ser colocadas na parte da manhã e retiradas a tarde, pois elas azedam com muita rapidez e podem trazer problemas para os pássaros.

Não existe uma mistura de sementes ideal ou que seja considerada a correta, mas para canários a mistura deve ter pelo menos 60% de alpiste. Cada criador faz a sua mistura de acordo com as suas possibilidades e experiências.

Na gaiola deve ter um comedouro com uma mistura de areia lavada e se possivel esterilizada e cascas de ovos torradas e trituradas. Esta mistura é importante pois auxilia os canários a triturar os alimentos na moela, uma vez que eles não possuem dentes.

Novamente falo da água e da importância de trocar todos os dias, a agua fornecida deve ser limpa e sem aditivos quimicos como o cloro. Na agua podemos administrar vitaminas, vermifugos e outros remédios, pois os pássaros com certeza irão beber, mesmo que ela esteja com um gosto diferente. Faça o seguinte teste, pegue um bebedouro com água a mais de um dia e que aparentemente está limpa e agite a água, veja a cor e o cheiro que ela vai ficar.

A alimentação dos pássaros varia de acordo com a fase da sua vida, sendo que eles tem necessidades  alimentares diferentes quando estão em fase de repouso, na muda de penas, na época de acasalamento ou com filhotes.

Atividades Diárias na Criação:
  1. A água deve ser trocada,
  2. As sementes devem ser sopradas e renovadas;
  3. As farinhadas, verduras, legumes ou frutas devem ser trocadas ou retiradas;
  4. Os forros das gaiolas devem ser verificados e caso estejam muito sujos devem ser trocados;
  5. Se possivel as aves devem ser expostas ao Sol;
  6. Deve ser colocada uma banheira para os Canarios tomarem banho(duas a três vezes por Semana)
  7. As grades e poleiros devem ser higienizados(Quinzenalmente);

Alguem tem alguma receita de farinhada caseira ou de mistura de sementes? Deixe um comentário falando como ele é feita.

domingo, 20 de janeiro de 2013

* CONHEÇA SEU CANÁRIO - PARTE I / OS SENTIDOS DAS AVES

Os Sentidos das aves
Sem dúvida, o sentido mais desenvolvido nas aves é o da visão, mas no seu dia a dia, uma ave utiliza-se, dependendo da situação e da espécie, um ou uma combinação dos outros sentidos, de maneira vital para sua sobrevivência. Audição: o sentido da audição também é altamente desenvolvido nas aves. Elas conseguem uma amplitude de freqüência de 40 a 9.000 Hz, chegando a distinguir as diferentes notas sonoras melhor do que o homem. Tal fato deve-se à presença de uma quantidade dez vezes superior de células ciliadas por unidade de comprimento coclear do que a encontrada nos mamíferos (a cóclea do ouvido interno é um tubo curto que termina em fundo cego). A anatomia do aparelho auditivo externo leva ao tímpano (ou membrana timpânica); desse, um osso, a columela auris, transmite as ondas sonoras através da cavidade do ouvido médio até a janela oval do ouvido interno (da mesma forma que acontece com os anfíbios e répteis). De cada ouvido médio, uma trompa de Eustáquio dirige-se até a faringe, sendo que os dias possuem uma abertura comum no palato. Olfato e Gustação: olfato e gustação são geralmente pouco desenvolvidos nas aves, sendo que podemos notar algumas exceções tais como: albatrozes e procelárias (possuem lobos olfativos relativamente grandes), pica-paus e patos (possuem receptores táteis na língua e/ou no bico), quivis (espécie noturna primitiva da Nova Zelândia que procura minhocas utilizando as narinas quase terminas, no bico) e o urubu-de-cabeça-vermelha Cathartes aura (consegue localizar carniça pelo olfato). Comparações feitas entre o tamanho da cerebral responsável pelo olfato em Cathartes aura, mostrou ser do que por exemplo à encontrada em Caragyps, o urubu-de-cabeça-preta. O epitélio olfativo geralmente é relativamente restrito e confinado à superfície da concha superior (as passagens nasais das aves apresentam três conchas).para esse fato existe uma relação com o pequeno tamanho dos lobos olfativos do cérebro sendo responsável pelo sentido do olfato pouco desenvolvido. Normalmente as aves apresentam aberturas externas (narinas) e estas são quase separadas internamente. Nos pelicaniformes as aberturas estão fechadas e em algumas aves, como por exemplo em determinadas espécies de gruiformes não existe a separação interna. Quanto à gustação, a maioria das aves não possui botões gustativos na língua, apesar deste serem encontrados no revestimento da boca e da faringe. O reconhecimento do alimento depende primariamente do sentido da visão. Em psitacídeos como papagaios, são encontradas papilas gustativas na língua (mesmo assim em número bem inferior do que nos mamíferos, por exemplo); nos lóris, que diferem dos demais psitacídeos por serem nectívoros, as papilas gustativas aumentam de tamanho, ficando eriçadas o que facilita a obtenção do néctar e do pólen. Outros: Além dos sentidos até aqui vistos, as aves utilizam-se de diversas formas de navegação que, na maioria, são extensões dos referidos sentidos. Aves são sensíveis a pequenas variações de pressão de ar. Como exemplo disso, pode-se apontar experiências realizadas com pombos dentro de um quarto, quando estes conseguiram detectar a diferença de pressão entre o teto e o chão. Tal sensibilidade pode ser útil durante o vôo e pode servir ainda na previsão das mudanças dos padrões climáticos (importante para o fenômeno da migração). Ainda sobre o tempo, aves podem captar informações através do infra-som (som de baixíssima freqüência), produzido por movimentos de ar em grande escala, como no caso de tempestades e ventos soprando através dos vales. Diversas evidências apontam para o fato de aves conseguirem detectar campos magnéticos; a orientação de um grupo de aves, quando em movimento migratório, pode ser mudado, de maneira previsível, utilizando-se um campo magnético artificial. Um caso muito especial: as corujas Podemos afirmar que acusticamente, as corujas são as aves mais sensíveis; algumas espécies são diurnas e outras crepusculares (nesse caso sua atividade metabélica se dá com maior intensidade ao amanhecer e ao anoitecer). Para freqüências acima de 10quilo-hertz, a sensibilidade auditiva dessas aves pode ser comparada a de um gato. Isso só é possível por ser a anatomia das corujas adaptadas para tal, ou seja, possuem membranas timpânicas e coileas grandes e centros auditivos no encéfalo bastante desenvolvidos. As suindaras - Tyto alba - (Ordem Strigiformes, Família Tytonidae) são corujas que apresentam tamanho pequeno a médio, cabeça em forma de coração, olhos relativamente pequenos, bico proporcionalmente longo, asas longas e arredondadas, pernas longas recobertas de penas, garra mediana pectinada sendo cosmopolitas com exceção a Nova Zelândia e algumas ilhas oceânicas. A família é formada por onze espécies. Essas corujas serviam para que se pudesse realizar interessantes testes de orientação acústica. Na escuridão total, as suindaras eram capazes de agarrar camundongos; se esses estivessem puxando um pedaço de papel pelo chão, não eram mais atacados e sim o papel, o que mostra ser o estimulo auditivo o utilizado pelas suindaras. Ainda sobre corujas, muitas apresentam o disco facial (formado por penas rijas). Esse disco atua como um verdadeiro refletor parabólico dos sons. Os discos de algumas espécies são assimétricos e isso parece acentuar a habilidade delas na hora de localizar as presas. Quando os discos das mesmas suindaras do exemplo anterior foram removidos, estas cometeram grandes erros de localização de alvos. Não apenas o disco facial apresenta assimetria, mas também o próprio crânio é assimétrico em muitas espécies e é justamente nestas espécies que encontra-se a maior sensibilidade auditiva.

Fonte: Antonio Carlos Palermo Chaves

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

* CRIAÇÃO DE CANÁRIOS PARA INICIANTES


PARA INICIANTES



- Princípios Básicos da Criação de Canários


Artigo Retirado do Site da FOB


Vários e bons artigos sobre os princípios de uma criação de canários já foram
publicados. Todos eles muito objetivos e capazes de orientar com segurança o criador
novato.
Entretanto, atendendo ao tema, pelo meu prisma de criador, dentro das limitações que
uma publicação dessa natureza impõe, sem o objetivo de ser mais completo ou superior
aos já existentes, mas com o objetivo apenas de colaborar e, quem sabe, transmitir
fundamentos clássicos da literatura e sugerir algumas medidas aprendidas com a prática
e que possam ser aproveitadas pelos criadores principiantes.


LOCAL DE CRIAÇÃO

Para iniciar uma pequena criação de canários, geralmente pode-se adaptar algum
cômodo já existente na casa. De preferência, a acomodação deverá ser provida de
ampla(s) janela(s) voltada(s) para o sol nascente.
As janelas devem ser protegidas por tela de malha fina para evitar a entrada de insetos
e dispostas de maneira a evitar corrente de ar direta sobre as gaiolas, para prevenir o
desenvolvimento de problemas respiratórios. Entretanto, é necessário que haja
circulação de ar, o que muitas vezes pode ser solucionado com pequenas aberturas
junto ao forro,que facilitarão a saída do ar aquecido.
A previsão do número de casais deverá ser feita de acordo com as dimensões do
criadouro, sempre tendo em mente que o mesmo também precisará acomodar os
futuros filhotes e que a superpopulação é uma das causas do fracasso na criação de
pássaros.


GAIOLAS


As gaiolas indicadas para a criação de canários são as de arame galvanizado com grade
divisória removível e suportes externos para bebedouros e comedouros.
Existem no comércio diversos tipos de gaiolas e excelentes fabricantes.Antes de adquirila
é recomendável fazer uma pesquisa cuidadosa para eleger o modelo mais
conveniente, o melhor acabamento e preço, sendo interessante ouvir a opinião de
criadores experientes.
Feita a escolha, deve-se adquirir as gaiolas iguais e do mesmo fabricante, com a
finalidade de padronizar o equipamento e facilitar o manuseio. Embora um pouco mais
caro, deve-se adquirir para cada gaiola, uma grade-piso sobressalente que facilitará a
limpeza. Os fundo das gaiolas (bandejas) devem ser forrados com papel absorvente
(pode-se usar folhas de jornal) e sempre que houver acúmulo de dejetos troca-se à
forração (dias alternados).
Pelo menos duas vezes por semana as grades-pisos devem ser trocadas por outras
limpas. As grades retiradas devem ser imersas em água por algumas horas, depois
cuidadosamente esfregadas e lavadas e imersas novamente por algumas horas em
solução desinfetante. É preciso dispensar cuidados especiais também com os poleiros,
que devem ser mantidos limpos e, se possível trocados a cada duas semanas.


ACESSÓRIOS E UTENSíLIOS

São muitos e variados os acessórios e utensílios destinados a equipar as gaiolas de
criação que podem ser encontradas no comércio. Deve-se evitar sobrecarregar as
gaiolas com equipamentos muitas vezes supérfluos e que acabam dificultando a
manutenção da higiene.
Os melhores e mais práticos são os comedouros e bebedouros de plásticos em forma de
concha ou meia-lua, usados no exterior da gaiola. Esses recipientes devem ser mantidos
rigorosamente limpos, não admitindo-se que os bebedouros criem limo (algas) e os
comedouros acumulem pó.
"Após a abertura dos olhos dos filhotes não convém manusear os ninhos, para evitar
que os mesmos o abandonem prematuramente, causando sérios inconvenientes."
Além da limpeza diária dos bebedouros com pincel, escova e esponja, pelo menos uma
vez por semana os mesmos devem ser mergulhados pó ralgumas horas em solução de
cloro (Quiboa, Cândida, etc...) e depois enxaguados em água corrente.
Os comedouros destinados às sementes devem ser constantemente esvaziados para
evitar o acúmulo de pó e podem ser trocados para lavagem em espaços de tempos
maiores. Para ministrar alimentos úmidos como a farinhada e papas, usa-se vasilha de
louça, vidro ou plástico, que devem ser substituídos diariamente e tratados com os
mesmos rigores higiênicos.
Os canários precisam tomar banhos freqüentes e para isso pode-se adquirir banheiras
plásticas de tamanho grande, mas que permitam a sua passagem pelas portas das
gaiolas. Hoje existem à venda no mercado banheiras plásticas externas, muito práticas,
que podem ser adaptadas à porta da gaiola. Durante a época de criação deve-se
fornecer aos casais, ninhos adequados, sendo muito usados os de plástico que são
duráveis e de fácil higienização. Esses ninhos devem receber forros de flanela, corda ou
feltro, comumente encontrados em lojas especializadas. É boa prática trocar os ninhos
quando os filhotes são anilhados e sempre usar ninhos limpos a cada nova ninhada.


FORMAÇÃO DE PLANTEL

Como o objetivo da canaricultura é a qualidade e não a quantidade, o criador
inexperiente não deve iniciar sua criação com um número muito grande de casais. Se a
intenção for ter um ou dois casais, por passatempo, sem preocupação com os
resultados, qualquer casal serve, desde que seja saudável.
Entretanto, se o objetivo for criar canários pensando em desenvolvimento técnico e em
concursos, deve-se começar com casais de raça ou cor de acordo com a preferência,
mas de qualidade reconhecida. O criador deverá então se filiar a um clube ornitológico
que Ihe possibilitará participação e convívio com outros criadores.
Para se conseguir bons pássaros é prudente visitar criadores de prestígio, que poderão
dar valiosas orientações sobre os acasalamentos pretendidos e fornecer matrizes de
qualidade técnica indiscutível.
A compra de anilhas em concursos oficiais para registro dos filhotes e algumas regras já
estabelecidas são importantes e devem ser lembradas na hora da compra:
a) - Desconfie dos pássaros baratos, pois geralmente são de qualidade inferior ou
portadores de alguma afecção. É aconselhável começar a criação com poucos casais de
boa qualidade do que com muitos ruins;
b) - Compre somente canários que tenham anilhas e solicite do vendedor o seu
"pedigree";
c) - Não confie somente no seu "gosto"para avaliar um canário que deseja comprar.
Certifique-se se ele está dentro dos padrões da cor ou da raça desejada. Se possível
solicite os conselhos de um especialista e leia o Manual de Julgamento da Ordem
Brasileira de Juizes de Ornitologia ( CAIXA POSTAL 48 - SOUZAS / CEP 13 131-970 /
CAMPINAS-SP ), inteirando-se das características técnicas que os pássaros devem
possuir.
d) - Não compre exemplares fracos ou enfermos por melhor que seja o seu "pedigree",
pois um pássaro nessas condições não será bom reprodutor:
e) - Lembre-se que um pássaro saudável é esperto e alegre. Sua barriga deve ser limpa
e sem manchas, seus pés e dedos sem crostas ou tumefações e sua respiração
silenciosa e sem chiado.
Segundo o saudoso Carlos Gimenez "nem sempre um canário que obteve um primeiro
lugar é o mais adequado para criação. Existem canários espetaculares em termos de
plantel e criação, que não teriam grandes chances numa mesa de julgamento, ou por
estarem com a plumagem desarrumada, ou por terem o rabo um pouco aberto ou por
estarem um pouco gordos quebrando assim a harmonia visual.
Seria muito fácil se você comprasse o macho campeão e a fêmea campeã e acasalandoos
obtivesse o novo campeão".
Claro que os pássaros classificados em concursos devem possuir qualidades, mas
também é muito importante a sua origem e potencialidade genéticas, o que justifica o
direito muito popular entre os canaricultores:
"É preferível um pássaro razoável de uma excelente criação do que um pássaro
excelente de uma criação razoável".


ACASALAMENTO

Considerando-se as variações naturais de luz solar, anualmente ocorre um aumento
gradual e contínuo do tempo de duração da luminosidade do dia, a partir de 21 de
junho, alcançando o máximo em 21 de dezembro.
Neste período, considerado foto-período positivo, inicia-se o ciclo reprodutivo dos
canários. Assim, entre a segunda quinzena de julho e a primeira de agosto, em nosso
hemisfério, dá-se à época recomendada para iniciar os acasalamentos. Os machos e as
fêmeas deverão ser colocados nas gaiolas de cria, separados pela grade divisória, para
um período de adaptação fornecendo-se às fêmeas o ninho e fios de estopa ( desfiada
ou em pedaços de 5x5 cm. presos nas gaiolas). Quando os pássaros começarem a
trocar comida através da grade e a fêmea a confeccionar o ninho remove-se a grade
divisória, sendo então bem menor a possibilidade de brigas geradas por
incompatibilidade ou despreparo do casal.


POSTURA
 
A postura do primeiro ovo acontece entre 6 e 8 dias após a primeira cópula e as
posturas mais freqüentes são as de 3 e 4 ovos. A canária normalmente põe os ovos em
dias seguidos, mas em alguns casos pode ocorrer intervalo de um dia entre um ovo e o
seguinte. Nas primeiras horas da manhã ( 5 a 7 hs), a canária realiza a postura e depois
é coberta pelo macho, o que assegura a fecundação dos ovos posteriores. Por isso, não
é conveniente entrar no criadouro muito cedo.
Todas as manhãs, depois das 7 horas, os ovos recém-postos devem ser retirados e
substituídos por ovos de plásticos. Os ovos recolhidos devem ser colocados em
recipientes com areia, algodão ou semente esférica
(evitar sementes pontiagudas como o alpiste, que podem perfurar a casca) e mantidos
em temperatura ambiente. Após a postura do último ovo, que normalmente é de cor
mais escura, os ovos devem voltar ao ninho, sendo este considerado o primeiro dia da
incubação. A razão desse procedimento é para que os filhotes nasçam no mesmo dia e
tenham a mesma oportunidade de desenvolvimento.


INCUBAÇÃO
 
Normalmente a incubação é de 13 dias e nesse período é conveniente que o ambiente
seja tranqüilo e que as manipulações na gaiola sejam rápidas, evitando-se perturbar a
canária.
"Durante a incubação pode-se fazer o diagnóstico da fertilidade dos ovos a partir do 5º
ou 6º dia, examinando-os por transparência através de um foco de luz”.
Durante a incubação os ovos perdem água através da casca que é porosa e permite
também o intercâmbio de gases necessários para a vida do embrião
Nesse processo de "respiração do ovo" o vapor da água expelido deve ser reposto. Daí a
necessidade, nesse período, de umidade relativa do ar mais elevada. As canárias por
instinto regulam a umidade molhando suas penas, sendo conveniente colocar banheiras,
particularmente ao final da incubação (3-4 dias antes do final), momento em que os
ovos necessitam de maior umidade e menor temperatura para que os estímulos de
eclosão sejam eficazes e os filhotes possam romper facilmente a casca (78-90 % de
umidade).
Se a fêmea não se banha é conveniente pulverizar os ninhos com água. Em períodos de
baixa umidade pode-se também colocar esponja úmida no fundo da gaiola, embaixo do
ninho. Durante a incubação pode-se fazer o diagnóstico da fertilidade dos ovos a partir
do 5º ou 6º dia, examinando-os por transparência através de um foco de luz e
comprovando a existência do complexo embrionário. Para isso emprega-se um
"ovoscópio" que consiste numa caixa contendo uma Iâmpada no interior e um estreito
orifício sobre o qual se coloca o ovo.
Observando-se um ovo não fecundado, por esse método, a gema é perfeitamente
distinguida, enquanto nos ovos fecundados, a partir do 3º ou 4º dia de incubação já não
se distingue a gema como se ela estivesse misturada com a clara. Com a prática, a olho
nu pode-se distinguir os ovos, "claros" dos fecundados, pois estes, após seis dias de
incubação adquirem uma coloração mais intensa e fosca.
Segundo Perez e Perez (Bases Biológicas y de aplicación práctica la canaricultura) os
ovos abordados constituem perigo pelas emanações que produzem sobre os ovos
normais, podendo ser esta a causa de fracasso da incubação. Por essa razão, esse autor
recomenda a ovoscopia em dois períodos:aos 5-6 dias para identificar os ovos fecundados dos infecundados e aos 10-ll dias para eliminar os embriões mortos.


NASCIMENTO

Na maioria dos casos o nascimento se produz exatamente no 13º dia de incubação.
Entretanto, se o nascimento não ocorrer dentro do previsto, deve-se ter paciência e
aguardar. Várias circunstâncias podem causar o atraso. Há fêmeas que não chocam e
saem do ninho com freqüência. A falta de umidade também pode influenciar no atraso.
Não abra ou jogue fora um ovo pelo menos até o 15º dia de choco e, mesmo assim,
faça mais um teste de vitalidade. Para isso coloca-se os ovos em um recipiente com
água morna e aguarda-se alguns minutos. Se o embrião estiver vivo, o ovo flutuará com
a ponta para baixo, uma vez que a câmara de ar ocupa o pólo mais largo e balançará
ligeiramente. Os ovos abortados flutuarão de lado, sem movimentos pendulares, ou
afundarão.


ANILHAMENTO


Para identificar as aves, o sistema mais prático e seguro, consiste na colocação de
anilhas nas pernas dos filhotes. A anilha é um anel de alumínio, fechado e inviolável, no
qual está gravado as siglas da Federação e da Sociedade que as emitiu, o ano do
nascimento, o número de ordem e o número do criador.
Esta anilha é a identidade do pássaro, pois não sairá mais de sua perna,
acompanhando-o por toda a vida. Os pássaros para serem apresentados em exposições
e concursos oficiais devem portar obrigatoriamente anilhas.
As anilhas são colocadas nos canários, com poucos dias de vida, de 4 a 7 dias, mas
sempre se tendo em conta o desenvolvimento de suas pernas, evitando-se que a
operação seja traumatizante no caso de grande desenvolvimento ou que o pássaro a
perca, se a manobra for realizada muito cedo.
O anilhamento é um processo delicado e às vezes é difícil, para o principiante. Deve ser
feito sobre uma mesa forrada com papel, pois ao se pegar os filhotes nas mãos, é
comum que os mesmos defequem.
Para anilhar, toma-se o filhote com a mão esquerda, e com a direita o anel. Passa-se a
anilha pelos três dedos anteriores, deslizando-se até o início da articulação. Segura-se a
ponta desses dedos e deslocasse a anilha através do dedo posterior, que deve estar no
mesmo sentido da perna, fazendo com que o anel passe para a perna. Em seguida
liberta-se o dedo posterior, desenganchando-o da anilha. Essa operação pode ser
facilitada, untando-se os pés dos filhotes com vaselina ou outro lubrificante neutro.


SEPARAÇÃO DOS FILHOTES

A permanência no ninho até 20 dias é considerada normal. As ninhadas bem nutridas
deixam o ninho entre 15 e 18 dias. Poucos dias depois, os filhotes começam a bicar os
alimentos, principalmente a farinhada, frutas e verduras. Com um mês devem descascar
e quebrar as sementes, podendo então ser separados dos pais.
Uma regra prática e interessante é não separar os filhotes enquanto estes não perderem
as penugens da cabeça (espécie de pelos). Normalmente, por volta do 25º dia, a fêmea
inicia outro ciclo e começa a se preparar para nova postura. Nesse período os pais
podem depenar os filhotes em busca de material para confeccionar o novo ninho. Isso
pode ser evitado, separando-se os filhotes dos pais pela grade divisória da gaiola e
oferecendo ao casal material para a confecção do ninho. Os pais alimentam os filhotes
pela grade, bastando para isso à colocação de poleiros baixos e próximos à grade
divisória, dos dois lados.


ALIMENTAÇÃO DOS FILHOTES


Deve-se oferecer aos pais alimentação farta e variada.
A alimentação deverá ser administrada em pequenas farinhadas com ovo cozido e em
várias vezes ao dia. Pode-se usar verduras como o almeirão, chicória e couve, sempre
muito bem lavadas e frescas, bem como maçã e jiló.
O uso de variedades de sementes também é importante. Além do alpiste, a aveia sem
casca ( especialmente na primeira semana) e o níger devem ser oferecidos em
comedouros separados. Alguns criadores costumam usar pão molhado no leite, com
muita aceitação pelas fêmeas. O preparo é feito usando pão d'água, amanhecido,
descascado e cortado em fatias, que são mergulhadas em água. As fatias molhadas são
espremidas e colocadas novamente na água, repetindo-se a operação várias vezes.
Depois, mergulhadas em leite, deverão ser novamente espremidas e oferecidas aos
pássaros. Alguns canários não alimentam ou se alimentam mal os seus filhotes, apesar
dos cuidados do criador.
Nesses casos, Delille ( ABC Pratique de l'eleveurs de canaries coulleurs) recomenda
além da retirada do macho, oferecer água fortemente açucarada para beber, por um
dia, e pedaços de maçã. Outro recurso que pode ser usado, principalmente para as
canárias que saem pouco do ninho, é retirar o ninho com os filhotes por alguns
momentos. Essa manobra faz com que a fêmea se alimente e ao voltar ao ninho, acabe
alimentando os filhotes.
É sempre interessante colocar várias fêmeas para chocar ao mesmo tempo, ainda que
para isso seja preciso esperar alguns dias. Caso falhem todas as manobras para
estimular uma fêmea preguiçosa a tratar sua ninhada, resta ainda a possibilidade de
distribuir os filhotes entre as fêmeas que estejam tratando bem. Alguns criadores
costumam auxiliar as fêmeas, administrando alimentos pastosos no bico dos filhotes,
prática essa que é condenada por outros. Esse procedimento não deve ser usado o
tempo todo, mas acreditamos que nos dois ou três primeiros dias de vida é muito
importante, pois permite administrar aos filhotes vitaminas e medicamentos eficientes
no tratamento, por exemplo, a colibacilose, patologia responsável pela maioria das
mortes no ninho.
Além disso, auxilia o desenvolvimento inicial, mantendo os filhotes em condições de se
levantarem e pedirem alimentação às mães, aumentando o índice de sobrevivência. As
fórmulas das farinhadas que devem ser misturadas ao ovo cozido e passado pela
peneira para fazer a "farinhada "ou "farofa ", são muito variadas. Esse assunto é
bastante polêmico e cada criador tem a sua própria receita, guardando muitas vezes
com grande segredo. O objetivo final dessa farinhada é obter uma mistura com
proporções adequadas de carboidratos, proteínas e gorduras, além de sais minerais e
vitaminas, o que na maioria das vezes não é alcançado.
Nas revistas e livros especializados encontram-se várias sugestões para o preparo
dessas misturas. Existem hoje no comércio rações balanceadas e adequadas para a
mistura com o ovo cozido, que estão sendo usadas por criadores de renome, com bons
resultados.

Princípios Básicos para a Criação de Canários (Antonio Celso Ramalho) REVISTA FOB